As lesões dos meniscos podem ocorrer em qualquer época da vida, mas são mais frequentes em duas fases, no início da idade adulta e na terceira idade. As lesões que ocorrem nestas determinadas fases são bem diferentes entre si, não somente quanto aos mecanismos causadores, mas também em relação aos tratamentos utilizados para cada uma.
No indivíduo jovem, os meniscos costumam ser bastante elásticos e resistentes, e suas lesões geralmente são resultado de traumas que envolvem maior energia, como entorses do joelho durante a prática esportiva. Nestes casos, o menisco pode se rasgar, e um pedaço pode ficar parcialmente solto, movimentando-se de maneira anormal dentro da articulação, causando um quadro irritativo local, caracterizado por dor e aumento do volume de líquido articular. Não é infrequente que este fragmento partido do menisco venha a se interpor entre os ossos do joelho, de tal forma a bloquear o movimento articular. Existe uma lesão específica, chamada lesão em ‘alça de balde’ do menisco, em que um grande fragmento do menisco se solta parcialmente e se dobra sobre si mesmo, causando travamentos dolorosos do joelho.
O tratamento usual das lesões meniscais no indivíduo jovem é cirúrgico e realizado por artroscopia. Através de pequenas cortes no joelho, podemos inserir câmeras que captam as imagens do interior da articulação, e por estes mesmos cortes, utilizando pinças e outros instrumentos especiais, podemos realizar o tratamento dos meniscos lesados. Pequenos fragmentos são simplesmente ressecados, enquanto fragmentos maiores podem ser ressecados ou suturados, dependendo de suas características, principalmente da localização da lesão. Infelizmente, a cicatrização do tecido meniscal não é fácil, e apenas lesões muito específicas podem ser suturadas com sucesso. A grande maioria das lesões meniscais dos jovens são tratadas pela retirada dos fragmentos soltos, uma vez que é menos danoso ao joelho um menisco menor do que um menisco partido e deslocado.
Já no idoso, as lesões meniscais decorrem de traumas menores, pois os meniscos costumam ser menos elásticos e mais quebradiços nesta fase da vida. Muitas das lesões meniscais nesta faixa etária são decorrentes de movimentos banais, como agachar-se ou mesmo entrar ou sair de um automóvel mais baixo. Geralmente não ocorrem inchaços articulares tão grandes e os bloqueios ou travamentos articulares são bem menos frequentes que no jovem. Não é incomum que tais lesões meniscais estejam associadas ao desgaste global das cartilagens articulares do joelho. Quanto ao tratamento, tais lesões costumam ter mais chances de boa evolução com tratamentos não cirúrgicos, como infiltrações articulares e fisioterapia. O fortalecimento muscular dos membros inferiores é muito importante na prevenção deste tipo de lesão, e mesmo depois que as lesões ocorrem, os exercícios corretos de fortalecimento e condicionamento muscular dos membros inferiores tem papel importante no tratamento.
Sintomas de menisco rompido e como confirmar o diagnóstico
Os sintomas de menisco rompido mais comuns são dor localizada na linha articular do joelho, inchaço que aparece horas depois do esforço, sensação de travamento ou bloqueio ao dobrar ou esticar a perna, e às vezes um estalo no momento da lesão. O menisco rompido não dói sempre da mesma forma: no jovem, depois de um trauma esportivo, a dor costuma ser mais intensa e imediata, enquanto no idoso, com lesões degenerativas, o quadro pode ser mais discreto e intermitente.
A ressonância do joelho é o exame de imagem mais usado para confirmar a suspeita de lesão meniscal, porque mostra com detalhe o tecido cartilaginoso, que não aparece na radiografia comum. Ainda assim, o exame de imagem complementa, e não substitui, o exame físico, que já indica ao ortopedista qual estrutura está envolvida antes mesmo do resultado da ressonância.
A recuperação depois da cirurgia de menisco varia conforme o tipo de procedimento realizado. Quando o fragmento lesado é apenas removido, o retorno às atividades tende a ser mais rápido. Já quando o menisco é suturado, a reabilitação costuma ser mais protegida nas primeiras semanas, porque o tecido precisa de tempo para cicatrizar antes de ser exposto a cargas maiores. A fisioterapia orientada é parte importante desse processo, seja qual for o procedimento realizado.
Perguntas sobre sintomas de menisco rompido
Quais são os sintomas de menisco rompido?
Os sintomas de menisco rompido mais frequentes são dor na linha articular do joelho, inchaço, sensação de travamento e, em alguns casos, um estalo no momento da lesão. O padrão pode variar bastante entre um jovem, depois de um trauma esportivo, e um idoso, com uma lesão degenerativa. A avaliação clínica ajuda a identificar qual desses padrões está presente.
O menisco rompido dói sempre?
Não, o menisco rompido não dói sempre da mesma forma. Lesões traumáticas em jovens costumam causar dor mais intensa e inchaço evidente, enquanto lesões degenerativas em pessoas mais velhas podem gerar um desconforto mais discreto e intermitente. Por isso, mesmo uma dor leve e persistente no joelho merece avaliação.
Preciso de ressonância do joelho para confirmar a lesão de menisco?
Na maioria dos casos suspeitos, sim, a ressonância do joelho é o exame que melhor confirma e detalha a lesão meniscal, porque mostra estruturas que a radiografia não capta. Ainda assim, o exame físico feito na consulta já orienta o diagnóstico antes do resultado da imagem. A ressonância é pedida quando o resultado pode mudar a conduta.
Como é a recuperação depois da cirurgia de menisco?
A recuperação depois da cirurgia de menisco depende do tipo de procedimento: a retirada do fragmento lesado costuma permitir retorno mais rápido às atividades, enquanto a sutura meniscal exige uma reabilitação mais protegida nas primeiras semanas, para dar tempo à cicatrização do tecido. A fisioterapia orientada acompanha as duas situações.