- E, da mesma forma que uma viga metálica pode falhar, se submetida a esforços que ultrapassem sua capacidade, assim também acontece com nossos ossos.
- A falha mais comum do tecido ósseo são as fraturas e as fraturas mais frequentes são aquelas ocasionadas por um trauma. Ainda fazendo um paralelo com um prédio, as fraturas por trauma seriam aquelas ocasionadas por algo abrupto, intenso e inesperado, tal como um terremoto de grandes proporções.
- Nestas condições, mesmo um prédio novo e bem construído pode desmoronar.
- Por outro lado, há um outro tipo de falha, que ocorre tanto em prédios, como no nosso esqueleto, que são ocasionadas por um fenômeno chamado de fadiga do material. Em um prédio, as vigas metálicas submetidas a algum tipo de vibração ou micromovimento constante, mesmo que de baixa intensidade, ao longo do tempo, podem apresentar fissuras e rachaduras. No corpo humano, chamamos este fenômeno de fraturas por estresse.
- As fraturas por estresse ocorrem quando determinado osso é submetido a um esforço de baixa intensidade, porém de modo persistente. Os ossos das pernas (tíbias) e alguns ossos dos pés são os mais frequentemente afetados por tais fraturas. Corredores de longa distância ou militares submetidos a longas marchas são os exemplos mais comuns de indivíduos sujeitos às tais fraturas por estresse.
- Eventualmente, algumas pessoas que já possuem algum grau de osteopenia, podem apresentar fraturas por estresse sem ter realizado corridas, apenas por caminhar longas distâncias. Às vezes, me deparo com casos assim: pessoas na casa dos seus sessenta e poucos anos, que fazem viagens, nas quais caminham muito para poder aproveitar todas as atrações turísticas de determinado local e acabam voltando com dores intensas.
- Uma vez diagnosticada a fratura por estresse, o tratamento é diminuir o impacto sobre o osso afetado, pois, ao contrário de um edifício, o nosso organismo pode corrigir-se a si mesmo, desde que tenha o repouso necessário. Em geral, algumas semanas de restrição de carga no membro são suficientes para que o osso cicatrize. O retorno às atividades físicas, por outro lado, deve ser gradual e acompanhado de exercícios físicos orientados, para prevenir novas fraturas.
Sintomas de fratura por estresse
A fratura por estresse costuma causar dor localizada que piora aos poucos com a atividade e melhora com o repouso, ao contrário da dor súbita de um trauma. Não há um momento exato de início, e sim uma dor que se intensifica ao longo de dias ou semanas de treino.
Nas fases iniciais, a dor aparece só durante a corrida ou a marcha prolongada. Se a atividade continuar sem ajuste, ela passa a surgir também em repouso e ao toque sobre o osso, às vezes com inchaço discreto na região.
Diagnóstico e tratamento de fratura por estresse em Brasília
A radiografia inicial pode não mostrar alteração nas primeiras semanas, porque a fissura ainda está se formando. Quando a suspeita clínica é forte e a radiografia é normal, a ressonância magnética costuma confirmar o diagnóstico mais cedo.
O tratamento de fratura por estresse é, sobretudo, a redução da carga sobre o osso afetado, por um período que costuma durar algumas semanas, seguida de retorno gradual às atividades, orientado por fisioterapia.
Corredores atendidos no consultório na Asa Norte costumam receber um plano de retorno ao treino por etapas, para reduzir o risco de repetir a lesão.
Perguntas sobre fratura por estresse
O que causa fratura por estresse?
Geralmente um esforço repetitivo de baixa intensidade sobre o osso, sem um trauma único que explique a dor. É comum em corredores de longa distância, em militares em marcha e em pessoas que aumentam a distância caminhada de forma rápida, especialmente quando já existe alguma fragilidade óssea.
Quais são os sintomas de fratura por estresse?
O sintoma mais característico é dor que piora progressivamente com a atividade física e melhora com o repouso, sem um momento exato de início. Com a evolução, a dor pode passar a aparecer mesmo em repouso e ao toque sobre o osso.
Posso continuar treinando com fratura por estresse?
Não é recomendado. Manter a atividade que provocou a lesão tende a piorar a fissura e atrasar a cicatrização. A orientação costuma ser reduzir a carga sobre o osso até a consolidação, com retorno gradual definido na avaliação.
Fratura por estresse aparece na radiografia?
Nem sempre, principalmente nas primeiras semanas. A ressonância magnética costuma identificar a lesão antes da radiografia, o que ajuda a confirmar o diagnóstico com mais rapidez e a iniciar o tratamento sem demora.